Teorema de Stokes
O teorema de Stokes é mais um resultado que pode ser considerado como uma extensão do teorema de Green ou da regra de Barrow. Da mesma forma que fizemos para o teorema da divergência, verificaremos a fórmula que é garantida pelo teorema em circunstâncias particulares muito simples e discutiremos a estratégia da sua generalização e as dificuldades que encontramos. O teorema vai garantir a validade da igualdade em que é uma variedade-2 com bordo e orientável com normal unitária contínua em , é um campo de classe , e o sentido em que se percorre e a normal unitária estão relacionados pela regra da mão direita (note que foram indicados a itálico termos que ainda temos de esclarecer minimamente).
Exemplo (Verificação da igualdade do teorema de Stokes no caso em que é uma vizinhança de coordenadas descrita explicitamente por uma função de classe e só tem uma coordenada não nula). Seja um aberto limitado cuja fronteira é uma linha fechada seccionalmente em , uma função de classe , , . Nesta situação, considerando que tem terceira coordenada positiva e é percorrida no sentido directo do ponto de vista de um observador situado em , () reduz-se a Iremos verificar a igual reduzindo o integral de linha a um integral no plano , aí aplicando o teorema de Green e finalmente notando que a expressão obtida corresponde ao integral de superfície.
Suponhamos que é parametrizada por , , . Temos Agora aplicamos o teorema de Green no plano e rearranjamos a última expressão para a podermos interpretar como um integral de superfície em calculado via uma representação explícita em que a normal unitária a é em que deve notar a escolha de sentido da normal que é consequência da aplicação do teorema de Green. Note (veja a figura) que para um observador sobre , orientado dos pés para a cabeça como a normal, e perto de , esta linha aparenta localmente ser percorrida no sentido directo. Tal constitui a regra de orientação popularizada em Física e Engenharia como a “regra da mão direita” para verificarmos a coerência de orientação de linhas e superfícies ao aplicarmos o teorema de Stokes.
Ficheiro no domínio público de http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Right-hand_grip_rule.svg
Fim de exemplo.
Note que falaremos de bordo de uma superfície em , por analogia com o exemplo em que consideramos como o bordo de . O bordo será a imagem de uma ou mais linhas limitando um aberto onde estão definidos os parâmetros através de uma representação paramétrica que descreve a superfície (ou parte dela). Exigimos à representação paramétrica as propriedades exigidas às representações paramétricas na definição de variedade- em num aberto contendo .
Relembramos que a superfície se diz orientável se existir uma normal unitária contínua sobre a superfície. Tal é nitidamente o caso no exemplo anterior.
Uma questão mais delicada relativamente ao exemplo é termos suposto a superfície de classe
Exercício (Interpretação geométrica do rotacional). Podemos obter, de uma forma análoga ao que fizemos para o operador
O exemplo seguinte ilustra como tirar partido do teorema de Stokes para evitar cálculos de integrais de linha ou de fluxos de rotacionais relativamente complexos. Vai ser essencial identificar correctamente a relação entre a superfície, o seu bordo, o sentido em que este é percorrido e o sentido da normal à superfície a considerar.
Exemplo. Consideramos a superfície
com
Consideramos também um campo vectorial
Sendo
Vamos ter como objectivo tentar determinar se a consideração do teorema de Stokes permite simplificar os cálculos. Comecemos por notar que
Para o bordo de
Última edição desta versão: João Palhoto Matos, 08/06/2020 12:32:52.